SABOREANDO UMA RIMA por Eber W. Cordeiro


Fazer rima é um “tróço” pra lá de “gozado”
Que brota serena como água em cacimba
Dessedenta até mesmo o doutor de tarimba
Ou ainda um xirú que não tenha estudado

Ela evoca emoções a muito entrincheiradas
Nas entranhas profundas da alma gaúcha
Bem pensada, escrita ou rasgada na bucha
Põe pra fora emoções e visões apaixonadas

A qualquer coração que em razão corcoveia
Espremido e doído num peito saudoso
Um versito alegre, charmoso ou choroso
Qualquer rima gaudéria provoca e incendeia

Nem precisa uma trova pra lá de erudita
Pra poder expressar o amor pelo pago
Basta apenas sentir e sorver o afago
Das lembranças guardadas da terra bendita

Que saudade eu sinto do velho torrão
O deixei muito cedo pela circunstância
Me mudei com meus pais para outra estância
Onde choro à distância abraçado ao violão

Mas um dia retorno de alma lavada
Nunca mais me separo da terra querida
Quero cicatrizar minha alma ferida
Trovejar peito aberto uma trova rimada.