Fazer rima é um “tróço” pra lá de
“gozado”
Que brota serena como água em
cacimba
Dessedenta até mesmo o doutor de
tarimba
Ou ainda um xirú que não tenha
estudado
Ela evoca emoções a muito
entrincheiradas
Nas entranhas profundas da alma
gaúcha
Bem pensada, escrita ou rasgada na
bucha
Põe pra fora emoções e visões
apaixonadas
A qualquer coração que em razão
corcoveia
Espremido e doído num peito saudoso
Um versito alegre, charmoso ou
choroso
Qualquer rima gaudéria provoca e
incendeia
Nem precisa uma trova pra lá de
erudita
Pra poder expressar o amor pelo pago
Basta apenas sentir e sorver o afago
Das lembranças guardadas da terra
bendita
Que saudade eu sinto do velho torrão
O deixei muito cedo pela circunstância
Me mudei com meus pais para outra
estância
Onde choro à distância abraçado ao
violão
Mas um dia retorno de alma lavada
Nunca mais me separo da terra querida
Quero cicatrizar minha alma ferida
Trovejar peito aberto uma trova
rimada.