Meu Rio Grande, que dor no meu peito
É a saudade que sinto de ti
Que me laça e me piála de jeito
E eu soluço que nem um guri
O meu choro eu expresso rimando
Porque é o jeito de espairecer
Vou cantando, sorrindo e chorando
Esperando pelo amanhecer
A vontade que sinto agora
É encilhar o meu pingo, ligeiro
Cutucar suas virilhas à espora
E bandiar pro rio Grande, faceiro
Não demora atravesso a fronteira
E te abraço, estado que eu amo
Pela estrada levanto a poeira
Chegue logo o feliz fim de ano
As bombachas já estão engomadas
E o meu lenço vermelho, passado
Num bom mapa estudo as estradas
Que vão me levar ao meu pago
A guaiaca recheio com uns “troco”
Pra poder dar essa camperiada
Vou juntando meus trapos bem “loco”
E atiçando a minha potrada
De vereda eu encilho o meu flete
E me atraco, te digo o destino
Sentadito na minha charrete
Vou rumando pro pago sulino
Mas por hora encerro essa fala
Porque ainda tenho outra peleia
Minha rima a saudade embala
É o sanguito gaudério na veia!