Lições da Natureza

O Código Decodificado: A loucura do desejo humano

Confesso que o convite em nada me agradou. É difícil largar velhos hábitos. Não gosto, e eu lhe havia dito isso, de ler ficção. Não é por algum preconceito, mas sim pelo próprio plano de leitura que tenho, onde cada livro ocupa uma parte já planejada de minha semana. Como meta, leio um livro a cada 15, 20 dias, e um de ficção, esse tipo mesmo, não estava em meus planos.

Mas ele é um bom cristão e seus questionamentos me pareceram válidos. Foi sua conversa sobre um deus revelado homem, uma força espiritual única, uma união de vários credos que me fez parar para pensar e refletir. Mas como argumentar se não sabia nada sobre o evento?

Foi então que me decidi responder suas inquietações, comprei o livro de Dan Brown, “O Símbolo Perdido” e me decidi ler. O fiz em exatos 12 dias, e confesso, ele é muito bom com as palavras e suas argumentações parecem convincentes. Talvez por isso, seus livros tenham se tornado Best Sellers de venda a todo tipo de pessoa.

O livro começa com uma trama até interessante, e não se apressa em já mostrar, aquilo que Dan Brown já é famoso, invenções maniqueístas fantasiosas, da sua “ciência noética”. Uma “ciência” cujo nome “...vinha do nome grego antigo nous, que podia ser traduzido aproximadamente como [conhecimento interno] ou [consciência intuitiva]”. (Brown, 2009, p.79). Esse auto conhecimento, essa ciência do olhar para dentro, é sua forma de introduzir, aos poucos, é claro, dentro de uma trama bem planejada, as idéias de panteísmo.

O livro começa com uma trama até interessante, e não se apressa em já mostrar, aquilo que Dan Brown já é famoso, invenções maniqueístas fantasiosas, da sua “ciência noética”. Uma “ciência” cujo nome “...vinha do nome grego antigo nous, que podia ser traduzido aproximadamente como [conhecimento interno] ou [consciência intuitiva]”. (Brown, 2009, p.79). Esse auto conhecimento, essa ciência do olhar para dentro, é sua forma de introduzir, aos poucos, é claro, dentro de uma trama bem planejada, as idéias de panteísmo.

Essa sim é a jogada de Brown. Suas idéias de que o Deus pessoal pregado pela Bíblia são história para bebe dormir, confundem o leitor, com afirmações bíblicas mal interpretadas e retiradas de seu contexto. A certa altura, quando o véu religioso não pode ser mais sustentado, ele constroe a trama de uma discussão de seu personagem com um clérigo católico, “A história está cheia de grandes mentes que proclamaram a mesma coisa... grandes mentes que insistiram, sem exceção, que o homem possui habilidades místicas das quais não tem consciência”. (op cit, p.302).

Essa forma de pensar que o homem é deus, que só precisa se libertar de uma mente humana fraca e incapaz de entender os grandes mistérios é o mote para nos chamar de ignorantes. Me senti ofendido em dado momento.

O pior é que argumenta ele, que a própria Bíblia, afirmaria que ele estaria certo, pois segundo ele, Salmos 82:6, somente uma parte, foi escrita por ele como “Vós sois deuses”. (op cit, p.303). Óbvio que Salmos não diz isso em seu contexto, já que mostra que deuses aqui se refere a participar da glória que nos está reservada, aos salvos na eternidade. Esse mesmo pensamento foi considerado por Jesus em João 10:34, que reafirma essa idéia, a de participantes, eleitos, seres que foram convidados pelo próprio Deus a serem moradores do céu.

Mas não é só isso, há um gancho para pegar os mais incautos com um peculiar discurso, onde a confusão de idéias é de dar medo. “Toda cultura no mundo tinha seu livro sagrado, seu próprio Verbo. Um diferente do outro, mas no fundo, todos iguais. Para os cristãos, a Palavra era Bíblia; para os muçulmanos, o Alcorão; para os judeus, a Tora; para os hindus, os Vedas, e assim por diante”. (...) Existe um motivo para esses volumes terem sobrevivido quando outros desapareceram. (...) Escondido nessas páginas existe um grande segredo magnífico.”(op cit, p.468).

Que segredo é esse?

O homem é deus!

Isso mesmo, “Os antigos mistérios e a Bíblia são a mesma coisa”. (op cit, p. 471). Assim a trama atinge seu ápice, o real motivo do livro não é a trama enigmática de símbolos e códigos, mas a idéia de que nenhuma religião é correta, pois essas não entenderam o que os textos querem “realmente” dizer, que cada um de nós somos deuses. Uma clara afirmação de panteísmo puro. Esse desafio a norma cristã, não é novo. Harry Poter também já afirmava que existem os bruxos, seres que detinham um conhecimento que você e eu não possuímos por sermos os trouxas. Então, qual a revelação que esse se pretende fazer?

Seu ataque mais pestilento é contra as igrejas, já que “As vozes dos antigos mestres foram engolidas pela ladainha caótica daqueles que se autoproclamam escolhidos e gritam seres os únicos a compreender a Palavra... que está escrita na sua língua e em nenhuma outra. (...) Os antigos mestres, inclusive Jesus, “ficariam horrorizados se vissem como seus ensinos foram deturpados... como a religião acabou virando uma cabine de pedágio para o céu...”, já que eles, os sábios de Brown, “entendem o que o mundo parece ter esquecido... que cada uma dessas obras [Bíblia, alcorão, Tora, etc.], à sua maneira, está sussurrando baixinho exatamente a mesma mensagem. (...) NÃO SABEIS QUE SOIS DEUSES?” (op cit, p.472).

O que posso dizer a você meu amigo leitor? Um livro como esse que se propõe ser um livro policial, com uma trama até certo ponto ingênua, para entreter, tem sido mais um disseminador de mentiras e inverdades que confundem um leitor incauto. Mesmo porque Brown é ardiloso nas meias verdades, sua escrita realmente parece ser verdadeira, enfim, muitos crêem que o que estão lendo é a mais pura verdade, fruto de uma mente e de uma busca privilegiada.

Na verdade, ecoam as palavras da serpente em Genesis 3:4-8, que até hoje fazem a humanidade dormir em berço de fogo a beira do precipício:

  • Certamente não morrerás e;
  • Sereis como Deus.
  • Muito me entristece saber que muitos crentes hoje, lêem esses livros em busca de alguma forma de prazer. Um real entretenimento barato, espúrio e vicioso. Pronto a criar na mente dúvidas e desespero.

    Mas não seria a Bíblia uma fonte de romance, terror, ficção entre muitos outros gêneros de leitura muito mais interessantes?

    Meu conselho: Cuide para que não caias.

    Até a próxima.




    Prof. Dr. Márcio Fraiberg Machado
    Doutorando em Educação
    Membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Taquara (RS)
    Contato:
    marciofraiberg@pop.com.br

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